quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O ESPORTISTA NEGRO QUE OS RACISTAS MAIS ODIARAM FOI MUHAMMAD ALI; VINI JR. E SEUS CHILIQUES SÃO IRRELEVANTES

"Tem a postura da estátua da Liberdade
e a altura do Empire State.
Salve, Cassius Marcellus Clay!
Soul brother, soul boxeur, soul man"
(Jorge Benjor)
Quando Vinícius Jr., segundo o José Mourinho, acabou com mais um jogo de futebol mediante seus chiliques narcisistas, fazendo provocações e depois pedindo a intervenção do juiz como se fosse um menininho que chama o irmão mais velho para o proteger, vale a pena lembrarmos o primeiro grande esportista negro que confrontava os racistas com a excelência de suas performances e devolvia os insultos atirando os adversários à lona: Muhammad Ali. 

Sua morte, aos 74 anos, de mal de Parkinson e problemas respiratórios, está em vias de completar uma década

Ele revolucionou o boxe peso-pesado, antes dominado por grandalhões fortes mas lentos. Bem mais ágil do que os adversários, baseava sua defesa antes na rapidez com que se movimentava no ringue do que na guarda

Chegava a usar as mãos apenas para golpear, batendo e saindo sem ser alcançado. E levava os racistas ao paroxismo da indignação, ao proclamar-se forte, ágil e bonito.

Era um negro orgulhoso de ser negro, algo inimaginável naqueles tempos em que os negros conheciam o seu lugar  e aceitavam passivamente sentar-se em locais separados nos ônibus, nos restaurantes, etc.
Ali não fazia a guarda, desviava-se dos golpes contrários

Falastrão, ele chegava também a ofender seus adversários mais desprezíveis, como Sonny Liston, o primeiro homem mau do boxe que Ali humilhou nas declarações prévias e depois demoliu no ringue, despojando-o do título com duas contundentes vitórias –por nocaute técnico no 7º assalto e por nocaute-relâmpago aos 2:12 da revanche.

No excelente documentário de Dimitri Logothetis intitulado
Champions forever (1989), os aposentados Ali, Foreman, Frazier, Ken Norton e Larry Holmes trocaram ideias sobre os duelos de gigantes que travaram. 

Os outros quatro mostraram muito carinho por Ali e reconheceram que suas declarações bombásticas para promover as lutas multiplicaram várias vezes o valor das bolsas que recebiam, daí não lhe terem guardado ressentimentos.

VIETCONG NENHUM ME CHAMA DE NIGGER

Ali perdeu o cinturão, muita grana e alguns dos melhores anos da carreira de um pugilista por recusar-se a coonestar a agressão estadunidense ao povo vietnamita –atitude que justificou com argumentos religiosos, mas cujo motivo maior ficou evidenciado na frase Vietcong nenhum me chama de  nigger  [pejorativo muito usado pelos racistas dos EUA, algo como negrinho.
O rei dos ringues e o rei dos gramados: respeito mútuo

Os preconceituosos e/ou direitistas passaram esse tempo todo fazendo campanha contra ele por suposta covardia; mas o Exército jamais se arriscaria a deixá-lo ao alcance do fogo inimigo, pois, se fosse atingido, o efeito moral seria devastador. 

Os militares lhe asseguraram que apenas serviria como relações-públicas do esforço guerreiro, seguindo as pegadas do ator Bob Hope. 

Ali preferiu ficar sem o cinturão, sem os muitos milhões de dólares que teria ganhado, sem o direito de exercer sua profissão –em razão da inacreditável pena de suspensão por tempo indeterminado que recebeu da máfia do pugilismo. O que, afinal, tinha a ver o título de campeão do mundo com a recusa em envergar a farda dos EUA? 

Para sobreviver, chegou a dar palestras em faculdades, encantando os estudantes com sua grandeza moral e sua inteligência aguçada.

Certa vez lhe pediram que, de bate-pronto, compusesse um poema. Não negou fogo. Fez um de apenas duas palavras:  Eu. Nós .

O minimalismo extremo --alguém imaginaria que ele fosse capaz de criar algo assim?

TIRANDO COELHO DA CARTOLA

Depois de perder seu título e passar três anos e meio fora dos ringues, Ali finalmente voltou.

Já na terceira luta de sua retomada, tentou reconquistar o cetro. Pareceu não ter-se dado conta de que a vantagem sobre os adversários diminuíra (haviam assimilado suas inovações) e até que estava sem preparo físico para a maratona de 15 assaltos.

Vinha melhor, mas foi derrubado por Frazier no último round. A vantagem por pontos que acumulara, aparentemente, ainda lhe garantiria a vitória, mas os jurados assim não entenderam.

Depois, sem título em disputa, travou com Frazier uma luta equilibradíssima e a vitória por pontos –também muito contestada– foi conferida a Ali.

Seguiu-se a maior luta de boxe de todos os tempos e de todas as categorias, imortalizada nos excelentes livro de Norman Mailer (A Luta, 1975) e documentário de Leon Gast (Quando éramos reis, 1996)].

Já com 32 anos, Ali teve de enfrentar George Foreman, um campeão jovem e poderosíssimo, que acabara de simplesmente massacrar Joe Frazier, mandando-o à lona seis vezes em dois rounds.

A direita ainda erguida poderia ter golpeado Foreman
A apreensão generalizada era de que Ali, além de derrotado, saísse morto do ringue, pois seu amor-próprio o impediria de desistir, fosse qual fosse a intensidade do castigo recebido.

Mas, ele tirou coelho da cartola. Todos lembram de sua técnica refinadíssima, mas Ali era muito mais do que isto. 

Tinha dons de grande estrategista, como se combinasse os papéis de pugilista e de técnico. Foi assim que ele venceu o invencível  Big George

Boxeando francamente no primeiro assalto, percebeu que jamais conseguiria a vitória lutando de igual para igual. A força descomunal do lutador mais jovem prevaleceria.

Então, adotou a postura que qualquer pugilista comum consideraria suicida diante da enorme potência dos golpes de Foreman: deixou-se ficar encostado nas cordas, recebendo o bombardeio e aparando-o com sua guarda.

Alguns obuses atingiam o alvo de raspão, outros se chocavam com os braços de Ali. Nenhum o abalou suficientemente. E Foreman, acostumado a nocautes rápidos, foi se cansando.

No quinto assalto, o Ali aparentemente apático, que só se defendia, mostrou que era, isto sim, um tigre se preparando para dar o bote: com um contra-ataque fulminante, quase nocauteou Foreman.

Depois de dois rounds letárgicos, foi o que acabou acontecendo no oitavo assalto. Ali novamente surpreendeu Foreman e, com uma sequência de golpes cuja rapidez era inimaginável àquela altura de uma luta tão exaustiva, metralhou a cabeça do oponente até fazer aquele gigante desabar em câmara lenta no ringue.

Ali x Foreman: a luta do século, na íntegra.

A coragem que deu a vitória a Ali nessa luta foi a mesma que o manteve no ringue até o fim de uma luta na qual teve seu maxilar fraturado por Ken Norton no 2º round.

O castigo que recebeu de Foreman foi tão terrível que, depois da vitória consumada, ele teve um breve desmaio durante as comemorações. Até então, entretanto, a adrenalina o mantivera em pé.

CAVALHEIRISMO RARO NUM BOXEADOR

Joe Frazier: duro castigo.
Na sequência, colocou o título em jogo no tira-teima contra Frazier. Tinha todos os motivos para impor derrota contundente ao rival e, assim, não deixar dúvidas de sua superioridade, depois das decisões polêmicas nas duas lutas anteriores.

No 14º assalto, esteve com Frazier à sua mercê, grogue, praticamente nocauteado em pé. Mas, ao invés de desfechar o golpe de misericórdia, pediu insistentemente ao juiz que interrompesse a luta.

Como não foi atendido, evitou bater pesado até o gongo soar. [Atitude semelhante à que teve ao nocautear Foreman: armou um soco mas, ao perceber que o cambaleante adversário cairia de qualquer jeito, não o desferiu, mostrando um autocontrole raríssimo em pugilistas.]

Os segundos decidiram que Frazier não tinha condições para disputar o 15º e último round. Vitória de Ali por abandono.

A caminho do vestiário, ele cruzou com o filho de Frazier e prestou tributo ao grande adversário: Seu pai foi o homem mais valente que eu já enfrentei.

Estava certo. Na foto publicada pelos jornais do dia seguinte, o rosto do pobre Joe estava assustador, de tão marcado pelos golpes de Ali.

Ótimo documentário sobre o boxe e seus maiores campeões

Deveria ter parado então, no auge da glória e sem sequelas. Insistiu em permanecer nos ringues e acabou sofrendo castigos desnecessários que, provavelmente, lhe causaram ou agravaram o mal de parkinson.

A melhor frase sobre ele foi a de Foreman, no documentário de Logothetis. Indagado se Ali tinha sido o maior peso-pesado de todos os tempos, Foreman esquivou-se de compará-lo com o igualmente superlativo Joe Louis. E ponderou:
Não sei quem foi o maior de todos, mas, certamente, Ali foi o melhor cidadão que já lutou boxe peso-pesado.

Foi belo o tributo de Jorge Ben a Muhammad Ali

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A BOA NOTÍCIA É QUE GUERRAS, RADIAÇÃO, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E FOME NÃO NOS DIZIMARÃO. A MÁ: MORREREMOS DE SEDE.

O
mundo já não vive apenas uma crise pontual ou mera escassez de água, mas sim uma falência hídrica global.

O alerta consta de um relatório da Universidade das Nações Unidas, apresentado como subsídio à Conferência da ONU sobre a Água de 2026.

Segundo o estudo, em vastas regiões do planeta os sistemas hídricos foram tão degradados que já não conseguem se recompor nos marcos tradicionais de gestão.

Muitos problemas se tornaram estruturalmente irreversíveis: aquíferos superexplorados, rios artificializados, zonas úmidas destruídas, poluição crônica e uso predatório do solo corroeram os mecanismos naturais de armazenamento e renovação da água. 

O resultado é um déficit permanente entre oferta e demanda, com impactos crescentes sobre alimentos, energia, saúde pública, estabilidade política e desenvolvimento econômico.

Parece que voltamos ao século passado, quando a seca era um tema recorrente nas canção nordestinas.

A diferença é que naquele tempo ainda havia como corrigir tais situações. Agora, não mais.
Isto é o capitalismo: a prevalência da ganância sobre as necessidades humanas.

Uma expressão que usávamos antigamente era quem viver, verá.

Agora faz mais sentido dizermos 
se alguém sobrar, verá(por Celso Lungaretti)
Clique aqui para assistir ao teipe de "Asa 
Branca".
Cantam Luiz Gonzaga, Fagner,  Sivuca e Guadalupe.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SÓ SAM PECKINPAH, CINEASTA MAIOR, ABORDARIA A 2a GUERRA MUNDIAL SEM BASTARDAS E INGLÓRIAS PATRIAPATICES

Sam Peckinpah (1925-1984), descendente de índios paiutes,  foi um dos meus diretores favoritos de um tipo de cinema que teve seu apogeu na segunda metade do século passado e hoje quase não existe mais.

Refiro-me aos filmes de ação que, embora satisfizessem as expectativas de plateias menos sofisticadas, tinham embutidos ingredientes que agradavam em cheio aos cinéfilos mais exigentes.

Ou seja, dependendo do perfil de quem os assistia, podiam ser vistos apenas como espetáculos ou como muito mais do que isto.

Peckinpah nos brindou com um belo lote dessas pequenas obras-primas: Pistoleiros do entardecer (1962), Meu ódio será sua herança (1969), Sob o domínio do medo (1971), Pat Garrett e Billy the Kid (1973), Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia (1974)...

A perfeição com que ele filmava cenas violentas lhe valeu injustas críticas de ser apenas uma prostituta explorando os baixos instintos das plateias, quando, na verdade, era o contrário.

O cinema estadunidense sempre banalizara a morte, como se fosse algo silencioso, indolor e inodoro: o mocinho atirava, os bandidos tombavam, o tiroteio terminava, e esta parecia ser a ordem natural das coisas.

Não para Peckinpah: com sua câmara lenta e uma duração bem maior dessas agonias, a morte de seus personagens era quase sempre mostrada como um acontecimento terrível, sofrido, único. 

Cruz de Ferro (1977) é uma das culminâncias de sua obra, ao mostrar os dramas internos de um destacamento de soldados alemães prestes a serem destruídos pela contra-ofensiva soviética, quando o curso da segunda guerra mundial já começara a mudar.

A novela de Willi Heinrich, que conheceu como soldado os episódios depois transpostos para a tela, é poderosa; e a adaptação de Peckinpah e seus roteiristas, simplesmente primorosa. 

Flagra o choque de dois personagens empenhados num duelo mortal em meio ao caos dà derrota iminente:
* um capitão de origem prussiana (Maximilian Schell) que, para satisfazer as expectativas familiares, precisa voltar para casa com uma Cruz de Ferro conquistada no campo de batalha, caso contrário desonrará as tradições dos seus antepassados; e 
* um cabo heroico (James Coburn) que preza acima de tudo o companheirismo com seus comandados, ao mesmo tempo em que detesta os oficiais.

James Mason e David Warner também compõem personagens inesquecíveis. Trata-se de uma verdadeira lição de cinema para os atarantados Tarantinos, que não se vexam de realizar bobagens patrioteiras como Bastardos Inglórios (por Celso Lungaretti) 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

NÃO É NECESSÁRIO CANHÃO PARA MATAR UM TOFFOLI: INSETICIDA BASTA.

A grande imprensa continua manipulando não só seu próprio público, como também a internet, que a copia.

Dias Toffoli é o alvo da vez. Não passa de um mosquito, uma insignificância.

Deve ser expelido do Supremo e, em seguida, ver o sol nascer quadrado? Sim, sem dúvida.

Mas, justifica-se tanto alarde por tão pouco? Não, nem a pau, Juvenal.

Além de a exaustiva campanha jornalística ser uma óbvia maneira de reduzirem a credibilidade do Supremo, justamente no momento em que ele mantém preso o pior homicida culposo da história do Brasil.

Repito a frase antológica do Paulo Francis: O combate à corrupção é uma bandeira da direita.

Faz todo sentido que o Estadão e a Folha queiram levar os leitores a esquecerem que há uma imensidão de problemas muitíssimo mais graves no Brasil, causados pelo vilão-mor, o capitalismo. 

Mas, é incompreensível que tantos comentaristas de esquerda estejam embarcando também nessa canoa furada.

Assim como na de valorizarem a eleição de cartas marcadas da democracia burguesa, como se houvesse pelo menos um candidato  aproveitável dentre os que têm reais chances de vitória. 

Flávio Bolsonaro, Lula, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas me fazem lembrar um pitoresco desafio estilizado da Orquestra Armorial, o "Coco Praieiro": É que, se tratando do seu canto, eu sou sincero: um mais um é igual a zero, tire a prova se restar.

Em se tratando destes quatro eu sou sincero: o resultado da soma de qualquer um com qualquer outro é número negativo. Bem negativo,

E não passa de uma lavagem cerebral a insistência em darem desde já tamanho destaque à corrida eleitoral?! Trata-se da mais flagrante forçação de barra, para fazer os leitores engolirem isca, anzol e linha. 

Antigamente o noticiário sobre a eleição só aumentava depois das férias escolares de julho, e já era uma amolação sem tamanho. Agora dura mais de 10 meses. Haja saco!

Encerro com o Raul Seixas: Todo o jornal que eu leio me diz que a gente já era, que  já não é mais primavera, Oh, baby, a gente ainda nem começou.

De algo tenho certeza absoluta: todo jornal que eu leio tenta me iludir. (por Celso Lungaretti)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

20 FRASES FUNDAMENTAIS PARA QUEM PRETENDE MUDAR O MUNDO

"Ser governado é ser guardado à vista inspecionado, espionado, dirigido, legisferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado.

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!" (PIERRE-JOSEPH PROUDHON).


"Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Dilacerou impiedosamente os variegados laços feudais que ligavam o ser humano a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre homem e homem outro vínculo que não o interesse nu e cru, o insensível pagamento em dinheiro.

Afogou nas águas gélidas do calculo egoísta os sagrados frêmitos da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e no lugar das inúmeras liberdades já reconhecidas e duramente conquistadas colocou unicamente a liberdade de comércio sem escrúpulos.

Numa palavra, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas ela colocou um exploração aberta, despudorada, direta e árida" (KARL MARX e FRIEDRICH ENGELS)
.
"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo" (Proudhon)

"Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo, de diversas maneiras. Chegou a hora de transformá-lo" (Marx e Engels)

"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" (LEON TROTSKY)

"A propriedade é o roubo" (Proudhon)

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades"(Marx e Engels)

"O primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer 'isto é meu', e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar nisso, foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: Não, impostor!" (Jean-Jacques Rousseau)

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar" (BERTOLD BRECHT)

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo" (Marx)

"Imagine que não há países; não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só" (JOHN LENNON)

"Que meu país morra por mim" (JAMES JOYCE)

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos" (Marx)

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados"  (CHE GUEVARA)

"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti"(JOHN DONNE)

"Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente"(GERALDO VANDRÉ)

"Pereça a pátria e salve-se a  humanidade"(Proudhon)

"Oh, Deus, por que me abandonaste? Porque eu não existo!" (JEAN-LUC GODARD)

"
Se guardo a impossível salvação na loja de retalhos, o que resta? 

Todo um homem, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem" (JEAN-PAUL SARTRE)

"O velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros" (ANTONIO GRAMSCI)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO MANDAMENTO DE UM VERDADEIRO ESQUERDISTA: JAMAIS RASGAR SEDA PARA ESTADOS POLICIAIS!

Um dos panfletos mais influentes produzidos pela humanidade em todos os tempos, o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848, começa destacando esta verdade que vem sendo comprovada ao longo dos séculos:

"A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada. 
Tal guerra termina sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito".
A luta de classes conduziria, segundo Marx e Engels, ao momento em que a classe explorada (o proletariado), ao pôr fim à dominação que lhe impunha a classe exploradora (a burguesa), já não teria sob si uma nova classe explorada em gestação, pronta para substitui-la. 

Dito de outra forma, os proletários seriam os últimos explorados e, ao se libertarem, libertariam a humanidade inteira. 

A própria sociedade dividida em classes deixaria de existir, dando lugar a uma sociedade sem exploradores nem explorados, na qual todos os cidadãos colaborariam solidariamente para o bem comum e passariam a dividir de maneira mais equânime os frutos do trabalho das gentes. 
Até quando  durará a idolatria ao deus dinheiro?

Cada ser humano ofereceria a contribuição de que fosse capaz de dar para a coletividade e receberia da coletividade aquilo de que necessitasse para uma existência plena e gratificante. 

Ou seja, adeus guerra ininterrupta! Não mais as disputas canibalescas por privilégios diferenciados, mas sim o aproveitamento ótimo do potencial ora existente de produção em grande quantidade de tudo que os homens carecem para uma sobrevivência digna!


De quebra, a produção coletiva supriria integralmente tudo de que os seres humanos carecem para sua bem-aventurança, com, ademais, a vantagem de uma redução cada vez maior do número de horas trabalhadas para que cada cidadão cumprisse sua parte no esforço coletivo.

Livres do tacão da necessidade, todos teríamos tempo livre para sonharmos e tentarmos viabilizar nossos sonhos. O ponto de chegada da construção de uma nova sociedade, essencialmente humana, assim foi expresso no jargão marxista: de cada um, de acordo com sua possibilidade, a cada um, de acordo com sua necessidade.

Algo assim, entretanto, só funcionaria se envolvesse todos os humanos. Havendo diferenças significativas entre os benefícios disponibilizados .para cada contingente, voltariam as disputas, as guerras, as fronteiras, os exércitos, etc. Os mais fortes tornariam a levar vantagem sobre os mais fracos e a humanidade não sairia de sua pré-História.
Até Goebbels teria vergonha disto

Tal pesadelo começou a tornar-se realidade exatamente quando foi bem-sucedida a primeira de todas as revoluções socialistas, em 1917. 

A então URSS teve de assegurar a própria sobrevivência física, caso contrário seus sonhos morreriam juntamente com ela, esmagados por inimigos decididos a tomar-lhe pela força o que possuísse de valor.

E, ao defender suas conquistas como mera nação, não como coletividade humana, foi obrigada a transferir para médio ou longo prazo a tentativa de construção da sociedade ideal, contentando-se com forjar apenas a sociedade mais avançada ao seu alcance naquele momento histórico.

Assim voltaram, um a um, todos os horrores dos quais ela havia se livrado. 

E, por ser um país com desenvolvimento econômico tardio se comparado com as grandes nações europeias e os EUA, teve de efetuar enorme esforço para, antes de mais nada, alcançar o estágio de crescimento de seus adversários capitalistas. 

Mais: já prevendo um enfrentamento nos campos de batalha com a poderosa Alemanha nazista, os soviéticos tiveram não só de desenvolver sua economia a todo vapor, queimando etapas, como também de obter os resultados desejáveis o quanto antes, para aguentar o tranco quando chegasse a guerra anunciada.

Após tudo que os trabalhadores russos haviam suportado desde a desastrosa participação na 1ª guerra mundial, passando pela primeira revolução socialista da História, pelo enfrentamento da devastação e da miséria legadas pelo czarismo e pela resistência a uma formidável aliança contra si de muitos inimigos externos e internos, só mesmo um Estado policial conseguiria arrancar deles os descomunais esforços necessários para reduzir seu atraso material com relação à Alemanha. 

Vale acrescentar a grande fome na Ucrânia entre 1932 e 1933, cujas vítimas fatais teriam sido 3,4 milhões (!) de camponeses. O regime soviético destinava muitos recursos à implantação de sua infra-estrutura de nação moderna e faltavam-lhe produtos industrializados para compensar a população rural pela cessão de suas colheitas.
Crianças ucranianas x grande fome

A solução encontrada por Stalin foi tomar na marra essas colheitas, por meio de um dos piores terrorismos de estado já vistos pela humanidade.

Outro motivo dos massacres foi dissuadir os ucranianos de continuarem mantendo suas pequenas plantações, que Stalin queria ver substituídas por fazendas coletivos

O certo é que o estado policial se fez, e seu nome era stalinismo.

Confirmava-se integralmente a profecia de Marx: só os países  mais avançados em termos econômicos estavam prontos para a construção do socialismo. Os outros teriam, antes disto, de reduzirem pouco a pouco sua inferioridade em estágio de desenvolvimento.

Foi uma das grandes tragédia do século 20: a descaracterização das nações que tentaram construir o socialismo apesar da precariedade e do atraso. 

Quanto muito chegaram até o capitalismo, sendo, ainda, seus dramas explorados ad nauseam pela indústria cultural para predispor o resto da humanidade contra a esquerda, como se o  socialismo num só país fosse a nova realidade sonhada por Marx e Engels e não o seu contrário.  

Todas essas experiências históricas acabaram degenerando em nomenklaturas, sociedades nas quais subsistia (às vezes até ampliada) a desigualdade econômica, e tendo como segmento mais influente não uma classe, mas sim uma casta. 

No caso da antiga União Soviética tal papel cabia aos membros destacados do Partido Comunista, enquanto na Venezuela quem até recentemente mandava eram altos comandantes militares. O povo apanhava e obedecia.
Lênin criou o bolchevismo; Trotsky o levou à vitória. 

A profecia sobre o substituísmo, de autoria do jovem Trotsky, cumpriu-se: primeiramente, o Partido Comunista substituiu o proletariado; depois, o Comitê Central substituiu o Partido Comunista; finalmente, um tirano substituiu o Comitê Central.

O tirano primeiro foi Stalin, e seus simulacros não passam de filhotes: mantêm os compatriotas na penúria ou obrigados a vazarem para construir uma vida melhor no exílio, enquanto eles próprios se locupletam com poder e luxo dignos de nababos.

A
liás, foi Trotsky quem, pesaroso, reconheceu  que, se o stalinismo havia engendrado uma casta dominante, a qual só se diferenciava da antiga classe dominante pelo fato de que a situação favorecida não se baseava na posse de bens e riquezas, mas sim no posto funcional dos membros da nova elite (não sendo, portanto, transmissível por herança), far-se-ia necessária uma nova revolução para resgatar as promessas originais do socialismo: uma revolução dos novos explorados contra a nomenklatura opressora.

Isto implicava que a tarefa à qual Trotsky dedicara toda sua vida adulta não fora cumprida e a faina deveria ser praticamente recomeçada do zero. Mas, ele era suficientemente honesto para admitir uma verdade tão dolorosa. 

Já os pseudo-herdeiros do marxismo não têm nem a mesma honestidade intelectual, muito menos o mesmo espírito igualitário. Preferem vender uma caricatura de revolução para o mundo como se fosse a verdadeira revolução. 
O poder não só envelhece, como também envilece. 
De um lado estão os que fazem um capitalismo ligeiramente atenuado em seus malefícios e destrutividade passar por algo próximo dos ideais esquerdistas (ele tem a ver, isto sim, com o reformismo de Edouard Bernstein, que a Rosa Luxemburgo reduziu a pó de traque no seu clássico Reforma ou Revolução).

Do outro, cruéis nomenklaturas que criam confusão utilizando falaciosamente uma retórica esquerdista para parecer aparentada com o socialismo marxista, o qual, contudo, era eminentemente libertário e se propunha a conduzir a humanidade para um estágio superior de civilização, não para as trevas do passado. 

Erram terrivelmente os  companheiros que abandonaram o marxismo e o anarquismo para assumirem grotescas visões geopolíticas, daí estarem agora defendendo até mostrengos medievais como o regime iraniano. Eles só nos envergonham e desencaminham a luta dos explorados. (por Celso Lungaretti)
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